Fotografar retrato parece simples até a pessoa ficar sem expressão na frente da câmera.
O rosto trava.
O ombro sobe.
A mão não sabe onde ficar.
O sorriso vira aquele sorriso de documento.
A câmera está pronta, mas a pessoa não está.
Retrato na fotografia não é só colocar alguém na frente da lente.
É luz, fundo, distância, direção e um pouco de conversa. A técnica ajuda, claro. Mas um bom retrato também precisa deixar a pessoa minimamente à vontade.
Luz bonita ajuda o rosto
Em retrato, a luz manda bastante.
Luz dura demais pode marcar pele, criar sombra pesada no olho e deixar tudo meio agressivo. Às vezes funciona, principalmente em foto mais dramática. Mas, para retrato simples, costuma cobrar caro.
Janela lateral, sombra aberta, dia nublado, começo da manhã e fim da tarde ajudam muito. A luz chega mais suave, o rosto respira melhor e a câmera trabalha menos no desespero.
Não precisa montar estúdio para fazer retrato bom.
Às vezes uma janela já resolve metade da foto.
Fundo quieto deixa a pessoa aparecer
Fundo bagunçado derruba retrato rápido.
Uma placa colorida atrás da cabeça, uma cadeira no canto, uma parede cheia de informação, uma árvore saindo do ombro. A pessoa está bem, mas o fundo fica brigando.
Antes de fotografar, olhe as bordas.
Às vezes basta um passinho para o lado, afastar a pessoa da parede ou trocar o ângulo.
Fundo bom não precisa ser bonito, não atrapalhando já dá bom.
Olhos seguram o retrato
Em muitos retratos, o olho é onde a foto se sustenta.
Se o olhar está perdido, sem foco ou escondido por sombra ruim, a imagem perde força.
Não é que toda pessoa precisa olhar direto para a câmera, mas o olhar precisa ter função.
Pode ser olho na lente. Pode ser olhar para o lado. Pode ser cabeça baixa, se fizer sentido.
O problema é quando parece só distração.
No celular ou na câmera, vale tocar ou focar no olho mais próximo.
Pose boa não parece pose
Pose forçada se entrega de largada.
Braço duro, ombro tenso, mão travada, pescoço encolhido. A pessoa até tenta ajudar, mas fica parecendo que está esperando a foto acabar.
Uma orientação simples já muda bastante.
Relaxar os ombros. Virar um pouco o corpo. Apoiar a mão em algo. Segurar um objeto. Caminhar devagar. Olhar para fora do quadro. Respirar antes do clique.
Pra um retrato natural não precisa transformar a pessoa fotografada em top model.
Mãos podem complicar
Mão sem função chama atenção.
Fica perdida no bolso, apertada demais, aberta demais, grudada no corpo, etc.
Às vezes o rosto está ótimo, mas a mão rouba a cena.
Um truque simples é dar tarefa para a mão.
Segurar uma jaqueta, apoiar em uma mesa, tocar no cabelo com cuidado, segurar um copo, ajeitar a manga, encostar no bolso.
Quando a mão faz alguma coisa natural, ela não briga com a foto.
Distância muda o rosto
Chegar perto demais com lente muito aberta pode deformar.
O nariz cresce, o rosto arredonda, as bordas puxam. Em selfie isso aparece bastante. Às vezes a pessoa acha que não ficou bem, mas o problema era distância e lente.
Para retratos mais agradáveis, afastar um pouco e usar uma distância focal menos aberta costuma ajudar.
No celular, a câmera principal geralmente já abre bastante. Então cuidado com retrato muito colado no rosto.
Dar um passo para trás pode ser melhor do que enfiar a câmera na cara.
Retrato com celular também pede cuidado
Celular faz retrato bom, em geral.
O modo retrato desfoca fundo, suaviza pele, melhora contraste, tenta separar pessoa do ambiente.
Use, mas olhe o resultado.
Também vale tocar no rosto para ajustar foco e exposição. Se a luz atrás estiver forte, o celular pode escurecer a pessoa. Se tentar clarear tudo, pode estourar o fundo.
A câmera que tenta ajudar demais, acaba errando demais.
Edição de retrato precisa ter freio
Editar retrato é perigoso porque mexe com rosto.
Um pouco de exposição, contraste, corte e cor pode melhorar bastante. Tirar uma espinha temporária ou uma distração pequena também faz sentido.
Só não passe do ponto.
Pele lisa demais, olho branco demais, dente brilhando demais, rosto afinado demais. A pessoa começa a virar outra versão dela mesma.
Retrato bom melhora a imagem sem apagar a pessoa.
Edição entra para ajustar, não para fabricar rosto.
O melhor retrato parece simples
Retrato bonito não precisa ter mil truques.
Precisa de luz funcionando, fundo sem briga, foco no lugar certo, pose sem tensão e edição com calma.
Também precisa de tempo. Nem sempre muito, mas o suficiente para a pessoa respirar e parar de lutar contra a câmera.
Fotografar retrato é tentar mostrar alguém sem transformar tudo em encenação.