Reflexos e sombras na fotografia

Reflexos e sombras na fotografia são elementos que muita gente vê, mas nem sempre enxerga de verdade.

É muito comum uma poça d’água após as chuvas, um vidro de uma vitrine, o brilho de um carro, a sombra de uma árvore na parede ou uma pessoa caminhando no fim da tarde.

Tudo isso pode render foto boa, mas também pode virar bagunça fácil.

Reflexo demais deixa a foto bagunçada e sombra demais acaba escondendo o que importa.

Como quase tudo na fotografia, precisa analisar a cena antes de apertar o botão.

Reflexo não é só espelho bonito

Reflexo é um dos meus efeitos preferidos porque permite registrar uma situação diferenciada em uma cena.

Um prédio refletido no vidro, uma árvore no lago e/ou uma pessoa caminhando perto de uma poça.

Quando funciona, o reflexo cria uma camada super bacana na imagem.

E não precisa ser exatamente um reflexo cristalino; água tremida, vidro sujo, superfície irregular ou reflexo quebrado também podem funcionar.

Dependendo da cena, fica até mais interessante do que aquele espelho normal.

Imperfeições podem render boas fotos também.

A poça d’água pode virar composição

Depois da chuva, muita gente só vê chão molhado e acaba esquecendo que uma poça pode ajudar bastante na composição.

Basta abaixar um pouco a câmera e observar o que aparece nela. tipo: o céu, uma fachada, uma pessoa, uma árvore, um poste, ou alguma luz de rua.

O segredo é não fotografar a poça como poça, mas usa-la como parte da foto.

No celular isso funciona bem, porque dá pra chegar perto do chão com um pouquinho mais de facilidade.

Só tenha o cuidado de não enfiar o aparelho na água… senão acaba a brincadeira!

Dois centímetros já mudam tudo, o reflexo aparece ou some conforme a posição.

Vidro mistura mundos

Reflexo em vidro tem outra graça porque ele mistura o que está na frente com o que está atrás.

Uma vitrine mostra a rua e, ao mesmo tempo, o interior da loja porque seu reflexo é mais suave, menos contrastado.

Uma janela reflete prédios, céu, pessoas passando e luzes podem render boas fotos, mas também está a um passo da confusão.

É preciso cuidar pra não ter informação demais porque o olho não sabe onde parar.

Alguma coisa precisa organizar a leitura, pode ser uma pessoa, uma forma, uma cor ou uma linha.

Reflexo bom é reflexo que ajuda a foto.

A sombra também desenha

Sombra não é só falta de luz porque ela mostra formas, direções, volumes e texturas.

Três tipos de sombra chamam a atenção: sombras de fim de tarde, sombras de grades e de pessoas.

Uma sombra longa no fim da tarde pode mudar a leitura da cena.

A sombra de grades cria padrões.

A sombra de uma pessoa pode contar mais do que a própria pessoa.

Em alguns casos, a sombra pode virar o assunto principal.

Estes exemplos são muito comuns em fotografias de rua, arquitetura e imagens mais gráficas.

Uma parede simples com uma sombra bem posicionada pode gerar melhores fotos do que um cenário cheio de informação.

A sombra simplifica, corta detalhes e deixa a cena mais direta.

Luz dura cria sombra forte

A qualidade da sombra depende da luz.

Sol forte, principalmente mais alto, cria sombras marcadas e acaba prejudicando a foto.

Pra retrato, muitas vezes fica duro demais.

Pra fotografia urbana, arquitetura, textura e contraste, pode funcionar muito bem.

No começo da manhã e no fim da tarde, as sombras ficam mais longas.

Em dia nublado, a sombra fica suave, quase sumindo. Pode ser bom pra retrato, mas pode tirar aquele desenho mais forte da cena.

Não existe luz certa pra tudo, existe luz funcionando ou atrapalhando a foto.

Silhueta é sombra levada a sério

A silhueta aparece quando o assunto fica contra uma luz forte, perdendo detalhes.

Pode ser uma pessoa contra o pôr do sol.

Uma árvore contra o céu.

Um prédio contra uma claridade maior.

A câmera expõe pra luz e o assunto vira forma.

Silhueta precisa ter forma reconhecível, se a pessoa fica embolada com o fundo, a leitura se perde.

O celular tenta resolver tudo

No celular, reflexos e sombras podem ser traiçoeiros porque o aparelho tenta equilibrar a cena sozinho.

É comum o aparelho clarear sombras, segurar altas luzes, ativar HDR e levantar detalhes onde talvez a intenção fosse justamente deixar escuro.

Se a ideia é trabalhar com sombra forte ou silhueta, talvez seja preciso tocar na tela, ajustar a exposição e segurar um pouco a claridade.

Se deixar tudo no automático, o celular pode tentar “salvar” uma sombra que você queria manter.

A câmera tenta ajudar, mas nem sempre ajuda.

Reflexos e sombras na fotografia precisam ser úteis

Reflexos e sombras são recursos marcantes, mas não precisam aparecer em toda imagem.

Funcionam melhor quando ajudam a conduzir o olhar, criar clima, simplificar a cena ou mostrar algo de um jeito natural.

Antes de fotografar, tente responder três perguntas:

Esse reflexo acrescenta alguma coisa?

Essa sombra desenha a cena ou só esconde o assunto?

A imagem ficou mais interessante ou só mais confusa?

Às vezes a melhor foto aparece quando você muda um pouco a posição, abaixa a câmera, espera a pessoa passar, vira pra outra luz.

Reflexo e sombra também são formas de escrever com a luz. O primeiro mostra o mundo devolvido pela superfície; o segundo, o que a luz deixou de tocar.