Ao configurar a câmera do celular ou de uma câmera digital, é comum encontrar opções como 24, 30 e 60 fps.
A taxa de quadros para gravar vídeo é comum pensar que quanto maior, melhor. Mas escolher 60 fps para tudo nem sempre produz o resultado mais adequado.
Para a maioria das gravações, 30 fps é a opção mais versátil. Use 24 fps quando quiser uma cadência de movimento tradicionalmente associada ao cinema e 60 fps quando houver bastante movimento, quando você quiser uma reprodução mais fluida ou quando pretender fazer câmera lenta na edição.
A taxa de quadros também interfere nas condições necessárias para a gravação. Em pouca luz, por exemplo, trabalhar com uma taxa menor pode facilitar o uso de tempos de exposição mais longos por quadro.
A Apple chega a permitir que determinados iPhones reduzam automaticamente a gravação para 24 fps em ambientes escuros para melhorar a qualidade do vídeo.
Neste artigo
O que significa fps?
FPS significa frames per second, ou quadros por segundo.
Um vídeo é formado por uma sequência de imagens individuais exibidas rapidamente. Assim:
| Taxa | Quadros registrados em um segundo |
|---|---|
| 24 fps | 24 |
| 30 fps | 30 |
| 60 fps | 60 |
Quanto maior a taxa, mais momentos diferentes do movimento são registrados a cada segundo.
Isso não significa, porém, que 60 fps tenha automaticamente maior resolução ou melhor qualidade de imagem que 30 fps.
FPS e resolução são características diferentes.
Um vídeo pode ser gravado, por exemplo, em:
- 1080p a 30 fps;
- 1080p a 60 fps;
- 4K a 30 fps;
- 4K a 60 fps.
A resolução determina quantos pixels compõem cada quadro, enquanto o fps determina quantos desses quadros são registrados por segundo. A Canon define frame rate justamente como a frequência com que os quadros são capturados.
24, 30 ou 60 fps: qual escolher?
Como referência prática:
| Situação | Taxa sugerida |
| Uso geral | 30 fps |
| Vídeo com estética cinematográfica | 24 fps |
| Esportes e ação | 60 fps |
| Crianças ou animais em movimento | 60 fps |
| Vídeos comuns para redes sociais | 30 fps |
| Pouca luz | 24 ou 30 fps |
| Câmera lenta na edição | 60 fps ou mais |
| Movimentos rápidos de câmera | 60 fps pode ajudar |
Essas recomendações não são regras obrigatórias. A iluminação, o equipamento, a velocidade do obturador, a estabilização e a forma como o vídeo será editado também influenciam a escolha.
Quando usar 30 fps?
Se você não sabe qual escolher, comece com 30 fps.
É uma taxa adequada para grande parte das gravações cotidianas: pessoas falando, viagens, vídeos familiares, produtos, paisagens, registros para redes sociais e conteúdo geral.
O movimento já apresenta boa fluidez sem exigir tantos quadros quanto uma gravação em 60 fps.
Também representa um equilíbrio interessante entre movimento, armazenamento e exigência de luz.
Por isso, para quem simplesmente abre a câmera do celular e quer gravar sem pensar muito na configuração, 30 fps é a recomendação mais segura como padrão.
Isso não significa que seja tecnicamente superior a 24 ou 60 fps. Significa apenas que funciona bem em uma variedade muito grande de situações.
Quando usar 24 fps?
A taxa de 24 fps está historicamente associada ao cinema e continua sendo utilizada quando se deseja determinada cadência de movimento. A Canon inclui 24 fps entre as taxas tradicionais de produção audiovisual e observa sua associação ao chamado visual cinematográfico.
A diferença para 30 fps não está na resolução.
Um vídeo 4K a 24 fps e outro 4K a 30 fps podem ter exatamente as mesmas dimensões em pixels. O que muda é a quantidade de quadros capturados a cada segundo e, consequentemente, a maneira como o movimento aparece.
Em 24 fps, há uma separação temporal ligeiramente maior entre cada quadro. Com a velocidade do obturador adequada, isso produz o tipo de motion blur tradicionalmente relacionado ao cinema.
Por isso, 24 fps pode ser interessante para:
- curtas e projetos audiovisuais;
- cenas planejadas;
- vídeos com movimentos controlados;
- produções em que essa estética seja intencional.
Não há, contudo, motivo técnico para acreditar que 24 fps transforma automaticamente um vídeo em algo “cinematográfico”.
Iluminação, enquadramento, movimento da câmera, lentes, exposição, cor, áudio e edição têm influência muito maior no resultado final.
Quando usar 60 fps?
Em 60 fps, a câmera registra aproximadamente o dobro de quadros de uma gravação em 30 fps.
Isso permite representar mudanças de posição em intervalos menores e produz uma sensação de movimento mais fluida.
É particularmente útil para cenas como esportes, corridas, veículos, crianças brincando, animais em movimento e gravações em que a própria câmera se desloca rapidamente.
Também existe outra vantagem importante: câmera lenta.
Uma gravação feita em 60 fps pode ser reproduzida em uma sequência de 30 fps com metade da velocidade, mantendo um quadro gravado para cada quadro exibido. A Canon destaca exatamente essa possibilidade ao explicar que material capturado em 50/60 fps pode ser reduzido para metade da velocidade em timelines de 25/30 fps.
Portanto, se você sabe que poderá querer desacelerar determinada cena posteriormente, 60 fps oferece uma margem muito maior que 30 fps.
60 fps significa melhor qualidade?
Não necessariamente.
60 fps oferece maior resolução temporal: existem mais registros do movimento a cada segundo.
Isso é diferente de maior resolução espacial, maior alcance dinâmico, menor ruído ou melhor nitidez.
Dependendo da situação, uma gravação em 30 fps pode inclusive produzir uma imagem visualmente mais limpa que 60 fps, especialmente quando existe pouca luz.
A razão está ligada à exposição de cada quadro.
Por que 60 fps pode ser pior em pouca luz?
Em vídeo, a taxa de quadros limita quanto tempo cada quadro pode permanecer sendo exposto.
Uma referência bastante utilizada é manter a velocidade do obturador próxima ao dobro da taxa de quadros: aproximadamente 1/50 s em 24 fps, 1/60 s em 30 fps e 1/120 s em 60 fps.
A chamada regra dos 180 graus é uma convenção, e não uma obrigação, mas ajuda a produzir uma quantidade de desfoque de movimento considerada natural.
Ao passar de 30 para 60 fps e usar uma velocidade próxima a 1/120 s, cada quadro recebe luz durante menos tempo que em uma gravação próxima de 1/60 s.
Para compensar, a câmera pode precisar aumentar a sensibilidade ou recorrer mais intensamente ao processamento, dependendo do aparelho. Isso pode favorecer o aparecimento de ruído.
O comportamento exato varia conforme o celular ou câmera.
A própria Apple oferece o recurso Auto FPS, que pode reduzir automaticamente a taxa para 24 fps quando há pouca luz.
Isso é um bom exemplo de por que mais fps não significa automaticamente melhor vídeo.
24 fps é melhor em pouca luz?
Pode oferecer uma vantagem, mas não é uma regra absoluta.
Uma taxa menor permite, em princípio, trabalhar com um tempo de exposição maior por quadro. Isso pode ajudar quando existe pouca iluminação.
Entretanto, smartphones utilizam exposição automática, estabilização, redução de ruído, HDR e processamento computacional de maneiras diferentes.
Por isso, não é correto afirmar que 24 fps sempre produzirá uma imagem melhor que 30 fps à noite.
Como regra prática, entretanto, evitar 60 fps quando há pouca luz costuma ser uma decisão sensata, a menos que a cena exija especificamente a taxa mais alta.
Qual fps usar para pessoas falando?
Para entrevistas, apresentações, vídeos explicativos, gravações para redes sociais e outras situações em que uma pessoa fala diretamente para a câmera, 30 fps normalmente é suficiente.
Não existe movimento rápido que justifique obrigatoriamente 60 fps.
24 fps também pode funcionar muito bem quando a produção é planejada dessa forma.
Usar 60 fps não fará o rosto ficar mais detalhado simplesmente por registrar mais quadros.
Se o objetivo é melhorar a imagem, fatores como iluminação, lente utilizada, exposição, foco e qualidade do áudio provavelmente produzirão benefícios mais perceptíveis.
Qual fps usar para esportes?
Aqui, 60 fps geralmente faz mais sentido.
Como os objetos mudam rapidamente de posição, registrar mais quadros por segundo permite acompanhar o movimento com maior resolução temporal.
Também aumenta as possibilidades de transformar determinados trechos em câmera lenta posteriormente.
Taxas ainda maiores, como 100, 120 ou 240 fps, podem ser utilizadas quando a intenção é produzir slow motion mais acentuado.
Equipamentos atuais podem oferecer essas opções; o iPhone, por exemplo, suporta diferentes taxas de gravação conforme o modelo, e alguns aparelhos chegam a 120 fps em determinadas resoluções e modos.
Para uma gravação que será simplesmente reproduzida em velocidade normal, entretanto, não é necessário usar a maior taxa disponível apenas porque ela existe.
60 fps ocupa mais espaço?
Pode ocupar mais, mas o tamanho do arquivo não é determinado apenas pelo fps.
Resolução, bitrate, codec, profundidade de bits, método de compressão e conteúdo da própria cena também interferem.
A Apple alerta que taxas de quadros mais altas e resoluções maiores resultam em arquivos de vídeo maiores em suas configurações de câmera.
O bitrate também é fundamental. Como exemplo, as recomendações técnicas do YouTube estabelecem taxas de dados maiores para vários fluxos em 60 fps do que para equivalentes em 30 fps.
Isso significa que não é correto calcular simplesmente que um vídeo em 60 fps será sempre exatamente duas vezes maior que um vídeo em 30 fps.
O codec e a forma como o aparelho comprime a gravação podem alterar bastante essa relação.
60 fps deixa o vídeo duas vezes mais lento?
Não por si só.
Se você gravar em 60 fps e reproduzir o vídeo também em 60 fps, o movimento acontecerá em velocidade normal.
A câmera lenta aparece quando esses 60 quadros capturados em um segundo são distribuídos em uma timeline com taxa menor.
Por exemplo, colocar os 60 quadros em uma sequência de 30 fps permite espalhá-los ao longo de dois segundos. O movimento fica, portanto, em 50% da velocidade original.
Para slow motion mais intenso, são utilizadas taxas como 120 ou 240 fps.
FPS e velocidade do obturador são a mesma coisa?
Não.
Essa distinção é importante.
FPS determina quantos quadros o vídeo registra por segundo.
Velocidade do obturador determina durante quanto tempo cada um desses quadros recebe luz.
É possível gravar a 30 fps utilizando diferentes velocidades do obturador. Mudar o obturador altera exposição e desfoque de movimento, mas não transforma uma gravação de 30 fps em 60 fps.
Como referência audiovisual tradicional, costuma-se trabalhar com uma velocidade próxima ao dobro da taxa de quadros, mas essa relação pode ser alterada intencionalmente.
Esse assunto merece um artigo próprio.
E 120 ou 240 fps?
Essas taxas são voltadas principalmente para câmera lenta.
Quanto maior a quantidade de quadros capturados por segundo, mais a ação poderá ser desacelerada mantendo uma sequência contínua de imagens.
A Apple, por exemplo, oferece gravação em câmera lenta de até 120 ou 240 fps em modelos e modos compatíveis.
A contrapartida é que taxas muito altas exigem ainda mais luz, processamento e capacidade de armazenamento.
Por isso, 120 e 240 fps não devem ser encarados como substitutos de 24, 30 ou 60 fps para gravações normais.
Afinal, taxa de quadros para gravar vídeo?
Se você quer uma configuração simples para deixar selecionada no dia a dia, 30 fps é a opção mais equilibrada.
Escolha 24 fps quando houver uma intenção estética específica ou quando seu fluxo de produção estiver planejado para essa taxa.
Escolha 60 fps quando houver bastante movimento, quando você desejar uma reprodução mais fluida ou quando pretender desacelerar a imagem durante a edição.
E, principalmente, não escolha 60 fps apenas porque o número é maior.
A melhor taxa de quadros é aquela adequada ao movimento, à iluminação e ao destino do vídeo.