A Sigma ainda fabrica câmeras? Conheça a BF e entenda o que mudou.

Sim. A Sigma continua fabricando câmeras.

Muita gente conhece a empresa principalmente pelas lentes Art, Contemporary e Sports e pode até imaginar que os corpos de câmera ficaram no passado.

Isso é compreensível porque modelos como Sigma fp, fp L, sd Quattro e dp Quattro desapareceram das linhas atuais.

A estratégia da marca, porém, não acabou. Ela mudou.

Hoje, a câmera que melhor representa essa nova fase é a Sigma BF, uma mirrorless full frame que abandona várias convenções das câmeras digitais tradicionais.

Em vez de competir oferecendo cada vez mais botões, modos e recursos visíveis, a Sigma apostou em uma câmera minimalista, com poucos controles, armazenamento interno e uma interface bastante simplificada.

Essa escolha também ajuda a entender algo importante sobre a marca.

A Sigma nunca tentou simplesmente reproduzir o que os maiores fabricantes já faziam. Suas câmeras normalmente seguem ideias pouco convencionais, mesmo quando isso limita o público interessado nelas.

Qual é a câmera Sigma atual?

A principal câmera apresentada atualmente pela Sigma é a Sigma BF, lançada em 2025.

Ela utiliza um sensor CMOS full frame de aproximadamente 24,6 megapixels e o sistema L-Mount de lentes intercambiáveis.

O corpo chama atenção imediatamente porque parece muito mais simples do que uma mirrorless tradicional.

Há poucos botões, um único seletor principal e uma interface que tenta manter a tela livre de excesso de informações.

A proposta da Sigma é permitir acesso direto aos ajustes mais importantes da fotografia, como:

  • velocidade do obturador;
  • abertura;
  • ISO;
  • compensação de exposição;
  • modo de cor.

Isso não torna a BF necessariamente mais fácil para qualquer fotógrafo.

Quem já está acostumado a câmeras com vários botões personalizáveis e controles dedicados pode até sentir o contrário.

O ponto é que a Sigma decidiu reduzir deliberadamente a quantidade de elementos entre o fotógrafo e a imagem.

A Sigma BF não usa cartão de memória

Uma das escolhas mais incomuns da BF é o armazenamento.

Ela possui aproximadamente 230 GB de memória interna.

A Sigma informa capacidade para mais de 14 mil JPEGs, cerca de 4.300 arquivos RAW com compressão sem perdas ou aproximadamente 2,5 horas de vídeo na configuração de maior qualidade considerada pela fabricante.

Em vez de retirar o cartão após a sessão, o fluxo depende da memória interna e da conexão USB-C para transferência e backup.

É uma mudança muito maior do que parece.

Em praticamente toda câmera digital com cartão removível, um fotógrafo pode terminar um trabalho, retirar o cartão, colocar outro e continuar fotografando.

Com armazenamento interno, a lógica fica mais próxima daquela encontrada em celulares e computadores.

Isso pode ser conveniente para quem fotografa de maneira casual e não quer administrar cartões.

Por outro lado, exige atenção diferente ao backup.

Os 230 GB não são um espaço infinito. Quando o armazenamento começa a encher, os arquivos precisam ser transferidos.

Esse é um bom exemplo de como a Sigma BF não deve ser avaliada apenas pela ficha técnica.

A pergunta não é somente:

230 GB são suficientes?

Também é:

esse tipo de armazenamento combina com a maneira como eu fotografo?

A BF tem um sensor full frame de 24,6 MP

A Sigma BF utiliza um sensor full frame retroiluminado de aproximadamente 24,6 megapixels.

Essa resolução pode parecer modesta em uma época em que celulares anunciam 50, 108 ou 200 MP e algumas câmeras ultrapassam 40 ou 60 MP.

Mas megapixels sozinhos não determinam qualidade de imagem.

Para fotografias cotidianas, retratos, viagens, fotografia de rua e muitos outros usos, aproximadamente 24 MP já oferecem bastante resolução para edição, impressão e recortes moderados.

O mais interessante na BF não está em tentar vencer uma disputa de megapixels.

Está na combinação entre sensor full frame, corpo relativamente compacto, lentes L-Mount e a proposta de simplificar a operação.

E a antiga Sigma fp?

A Sigma fp marcou outra fase importante da empresa.

Lançada em 2019, ela também utilizava sensor full frame de aproximadamente 24,6 MP e chamou atenção pelo tamanho extremamente reduzido.

Sua proposta era bastante modular.

O mesmo corpo podia ser utilizado de maneira simples para fotografia ou receber acessórios e ser transformado em uma configuração muito mais complexa para produção de vídeo.

Depois veio a Sigma fp L, com aproximadamente 61 megapixels e foco híbrido.

Hoje, tanto a fp quanto a fp L aparecem oficialmente entre os modelos descontinuados da Sigma.

Isso não significa que tenham deixado de funcionar ou que não possam aparecer no mercado de usados.

Significa apenas que não devem mais ser apresentadas como a linha atual da fabricante.

Para quem encontra uma fp usada, a análise também precisa considerar preço, disponibilidade de acessórios, bateria, estado do equipamento e compatibilidade com o restante do sistema.

Uma câmera descontinuada não é automaticamente uma compra ruim.

Mas deve ser comprada sabendo que já pertence a uma geração encerrada.

E as câmeras Sigma com sensor Foveon?

Aqui existe uma confusão especialmente importante.

Durante muitos anos, falar em câmera Sigma quase significava falar em sensor Foveon.

Modelos como SD9, SD1, séries DP, dp Quattro e sd Quattro usaram versões dessa tecnologia.

O Foveon trabalha de maneira diferente do sensor Bayer convencional encontrado na maioria das câmeras digitais.

De forma simplificada, sua estrutura utiliza camadas no silício para registrar informações de cor em diferentes profundidades, em vez de depender da mesma matriz de filtros de cor utilizada pela maioria dos sensores convencionais.

Essa tecnologia se tornou parte importante da identidade das câmeras Sigma.

Mas a Sigma BF não utiliza sensor Foveon.

Ela possui um sensor CMOS convencional com matriz de cores primárias.

Essa distinção é importante porque ainda existem textos antigos que associam automaticamente qualquer câmera Sigma atual ao Foveon.

Hoje isso não é correto.

Então a Sigma abandonou o Foveon?

Não é possível afirmar isso.

A Sigma anunciou anos atrás o desenvolvimento de uma câmera full frame com sensor Foveon de três camadas, mas o projeto encontrou dificuldades.

Em 2020, a própria empresa informou que o desenvolvimento precisaria ser reiniciado porque não havia condições de colocar o sensor planejado em produção.

Em uma atualização posterior, a Sigma explicou que continuava trabalhando no desenvolvimento da tecnologia e avaliando protótipos.

O ponto importante para quem está procurando uma câmera hoje é mais simples:

não existe motivo para escolher uma câmera atual contando com um futuro modelo Foveon que ainda não tenha lançamento confirmado.

Tecnologia em desenvolvimento e produto disponível são coisas diferentes.

Se um novo sistema chegar ao mercado, ele poderá ser avaliado quando houver especificações, disponibilidade e resultados concretos.

O que é L-Mount nas câmeras Sigma?

A BF utiliza o L-Mount, sistema de encaixe de lentes compartilhado por diferentes fabricantes.

Essa escolha é relevante porque comprar uma câmera de lentes intercambiáveis significa entrar também em um ecossistema de lentes.

O L-Mount nasceu com a Leica e passou a ser utilizado por empresas como Sigma e Panasonic, além de outros participantes da aliança.

Na prática, isso amplia as possibilidades.

Uma câmera Sigma BF não fica restrita exclusivamente às lentes Sigma.

Existem lentes L-Mount de outras fabricantes compatíveis com o sistema, respeitadas as características e funções de cada produto.

Isso reduz um dos riscos de entrar em uma marca que possui uma linha de corpos muito menor do que Canon, Nikon ou Sony.

O fotógrafo não depende de uma única empresa para todas as lentes do sistema.

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A Sigma BF grava vídeo?

Sim.

A BF também foi projetada como câmera híbrida.

Ela consegue registrar vídeo em até 6K e oferece L-Log e codificação H.264 e H.265.

Há, porém, uma diferença importante entre dizer que uma câmera grava 6K e concluir que ela será automaticamente a melhor escolha para produção de vídeo.

Resolução é apenas uma parte do fluxo.

Quem trabalha com vídeo precisa observar também:

  • taxa de quadros;
  • estabilização;
  • autofocus;
  • duração das gravações;
  • conexões;
  • armazenamento;
  • áudio;
  • ergonomia;
  • compatibilidade com acessórios.

A BF possui estabilização eletrônica para vídeo, não estabilização mecânica do sensor.

Por isso, quem considera uma câmera principalmente para vídeo precisa avaliar o conjunto inteiro, não apenas o número 6K.

A simplicidade da Sigma BF também traz limitações

É aqui que a proposta da câmera fica mais interessante.

A BF não foi projetada para ser uma mirrorless tradicional com todos os recursos possíveis.

A mesma simplicidade que pode atrair alguns fotógrafos pode afastar outros.

O armazenamento interno é um exemplo.

O sistema extremamente reduzido de controles é outro.

A câmera também utiliza apenas obturador eletrônico.

Um obturador eletrônico pode funcionar muito bem em várias situações, mas possui características próprias.

Objetos que se movimentam rapidamente podem apresentar distorções em determinadas condições devido à maneira como a leitura do sensor acontece.

Algumas fontes de iluminação artificial também podem produzir faixas ou variações de brilho quando interagem com o processo eletrônico de leitura.

Isso não significa que toda fotografia terá esses problemas.

Significa que escolher uma câmera somente porque o design é atraente pode ignorar características que fazem diferença em determinados tipos de trabalho.

Fotografia de rua tranquila e fotografia esportiva profissional, por exemplo, possuem exigências bastante diferentes.

A Sigma BF é uma câmera para iniciantes?

A interface simplificada pode sugerir isso, mas não necessariamente.

Uma câmera fácil de operar não é automaticamente uma câmera de entrada.

A BF utiliza sensor full frame, lentes intercambiáveis e uma proposta bastante específica.

Um iniciante que simplesmente quer aprender fotografia pode encontrar opções mais convencionais, inclusive APS-C, com custo menor e recursos que facilitam a entrada em um sistema.

Por outro lado, alguém que já sabe exatamente o que deseja e se identifica com a simplicidade da BF pode apreciar justamente aquilo que ela elimina.

Essa distinção importa.

Poucos controles não significam automaticamente produto básico.

A Sigma deixou de ser principalmente uma fabricante de lentes?

Não.

As lentes continuam representando uma parte enorme da identidade e do catálogo da empresa.

As linhas Art, Contemporary e Sports atendem diferentes sistemas e tipos de fotografia.

A produção de câmeras é bem menor que a de fabricantes que possuem famílias inteiras de mirrorless.

Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas conhecem várias lentes Sigma sem nunca terem visto uma câmera Sigma.

Mas a existência da BF mostra que a empresa continua interessada em desenvolver corpos próprios.

Ela apenas não tenta preencher todas as faixas do mercado.

Onde as câmeras Sigma são fabricadas?

A Sigma mantém sua produção no Japão.

A fábrica de Aizu, na província de Fukushima, é a base de produção da empresa.

A companhia concentra ali grande parte das etapas de fabricação de câmeras, lentes e componentes.

Isso é relativamente incomum em uma indústria globalizada e se tornou parte da identidade da Sigma.

Mas origem de fabricação, sozinha, também não determina se uma câmera é adequada para você.

Mais importante é verificar se o equipamento atende às necessidades reais de fotografia e vídeo, se há lentes adequadas e como será o suporte e a disponibilidade no lugar onde você mora.

Vale considerar uma câmera Sigma?

Vale considerar, mas não simplesmente porque a Sigma possui boa reputação produzindo lentes.

Corpo e lente são decisões diferentes.

A BF faz mais sentido para quem valoriza:

  • sensor full frame;
  • design minimalista;
  • poucos controles;
  • armazenamento interno;
  • lentes L-Mount;
  • construção diferenciada;
  • fotografia cotidiana com uma experiência menos carregada de menus e botões.

Ela exige mais cautela para quem depende de características tradicionais de câmeras profissionais, precisa de um fluxo baseado em cartões removíveis ou quer uma câmera projetada prioritariamente para ação e trabalhos em que determinados recursos especializados são essenciais.

Também existe uma questão prática para o brasileiro.

Antes de escolher uma câmera menos comum no mercado nacional, vale verificar disponibilidade de corpo, lentes, bateria, acessórios, assistência e preço real de reposição.

Uma excelente câmera pode ser uma escolha ruim se montar e manter o sistema se tornar caro ou complicado demais para o seu uso.

Afinal, a Sigma ainda fabrica câmeras?

Sim.

Mas entender a Sigma atual exige abandonar a ideia de que ela está simplesmente tentando construir uma alternativa direta a Canon, Nikon ou Sony.

A fp e a fp L representaram uma fase baseada em corpos full frame pequenos e altamente modulares. As duas já foram descontinuadas.

A BF representa outra direção.

Ela mantém o sensor full frame e o L-Mount, mas aposta em poucos controles, memória interna e uma experiência de uso deliberadamente minimalista.

Ao mesmo tempo, ela mostra outra mudança importante: uma câmera Sigma atual não significa automaticamente sensor Foveon.

O Foveon continua sendo uma parte relevante da história tecnológica da empresa, mas não é o sensor utilizado na BF.

No fim, essa talvez seja a característica mais constante das câmeras Sigma.

A empresa fabrica muito menos corpos que seus grandes concorrentes, mas, quando desenvolve uma câmera, normalmente tenta responder de maneira própria à pergunta:

como uma câmera deveria funcionar?

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