Sim. A Pentax continua fabricando câmeras.
Mas a marca seguiu um caminho bem diferente daquele adotado por Canon, Nikon e Sony.
Enquanto grande parte do mercado de câmeras com lentes intercambiáveis migrou para sistemas mirrorless, a Pentax continuou apostando nas DSLRs, com espelho e visor óptico. E a história ficou ainda mais incomum em 2024, quando a empresa lançou uma câmera de filme nova, a Pentax 17.
Isso faz da Pentax uma marca curiosa no mercado atual.
Ela não desapareceu. Também não tenta acompanhar todas as tendências do setor.
Para entender o que a Pentax oferece hoje, vale separar três coisas: a história da marca, as câmeras digitais que continuam em sua linha e a decisão recente de voltar a fabricar uma câmera analógica.
Neste artigo
Quem fabrica as câmeras Pentax atualmente?
A Pentax hoje faz parte da Ricoh Imaging.
A história começou muito antes.
A empresa que daria origem à marca foi fundada no Japão em 1919 como Asahi Optical. Inicialmente, trabalhava com produtos ópticos e lentes.
Em 1952 apareceu a Asahiflex I, considerada a primeira câmera SLR de 35 mm produzida no Japão.
O nome Pentax começaria a ganhar destaque alguns anos depois, com a Asahi Pentax de 1957.
Ao longo das décadas seguintes, a marca ficou fortemente associada às câmeras reflex, ao encaixe K para lentes e a modelos que marcaram diferentes fases da fotografia analógica e digital.
A estrutura empresarial mudou com o tempo.
A operação passou pela Hoya e, em 2011, o negócio de câmeras e produtos relacionados foi adquirido pela Ricoh.
Portanto, quando alguém compra hoje uma câmera Pentax, está comprando um produto da marca Pentax desenvolvido e comercializado pela Ricoh Imaging.
Pentax e Ricoh, porém, continuam aparecendo como marcas distintas em diferentes produtos.
A Pentax ainda fabrica DSLRs?
Sim.
Esse é justamente um dos aspectos que mais diferenciam a Pentax atualmente.
A empresa declara oficialmente seu compromisso com o futuro da fotografia SLR.
Em uma DSLR, a luz que atravessa a lente chega ao visor óptico através de um sistema formado por espelho e prisma. Quando o fotógrafo dispara, o espelho se movimenta para permitir que a luz alcance o sensor.
Nas mirrorless, o espelho é eliminado e a visualização normalmente ocorre por uma tela ou visor eletrônico.
A maior parte das fabricantes concentrou seus lançamentos recentes em mirrorless.
A Pentax decidiu preservar a experiência do visor óptico.
Isso não significa que DSLR seja automaticamente melhor que mirrorless.
Também não significa que a Pentax esteja tecnologicamente parada apenas porque ainda utiliza um espelho.
É uma escolha de sistema.
Para alguns fotógrafos, olhar diretamente através de um visor óptico continua sendo parte importante da experiência de fotografar.
Para outros, recursos das mirrorless, como pré-visualização eletrônica da exposição, sistemas modernos de autofocus, vídeo avançado e corpos diferentes, podem ter mais importância.
Quais câmeras digitais Pentax existem?
A linha recente da marca gira principalmente em torno da família K.
Entre os modelos que continuam presentes na estrutura oficial da Pentax estão a K-1 Mark II, a K-3 Mark III, a K-3 Mark III Monochrome e a KF.
Elas não representam quatro versões da mesma câmera.
Cada uma ocupa uma proposta diferente.
Pentax K-1 Mark II: a DSLR full frame
A K-1 Mark II é a principal referência full frame da Pentax.
Ela utiliza sensor CMOS de aproximadamente 36,4 megapixels e estabilização por deslocamento do próprio sensor.
Isso significa que a estabilização está no corpo da câmera, em vez de depender exclusivamente de lentes estabilizadas.
Esse detalhe tem uma consequência interessante para usuários do sistema Pentax.
A estabilização pode funcionar também com várias lentes mais antigas, inclusive em situações nas quais a própria objetiva não possui qualquer mecanismo eletrônico de estabilização.
A câmera também possui o Pixel Shift Resolution System II.
Nesse modo, o sensor se desloca entre diferentes exposições e a câmera combina as informações obtidas para produzir uma imagem com maior quantidade de dados de cor e detalhes.
Não é um recurso adequado para qualquer situação. Como envolve múltiplas capturas, cenas com muito movimento apresentam limitações.
Ainda assim, mostra um aspecto recorrente das DSLRs Pentax: parte dos recursos exclusivos depende justamente da possibilidade de movimentar fisicamente o sensor.
Pentax K-3 Mark III: a principal APS-C
A K-3 Mark III ocupa outra posição.
Ela utiliza sensor APS-C de aproximadamente 25,7 megapixels e foi desenvolvida com bastante atenção ao visor óptico.
A câmera representa de forma particularmente clara a estratégia atual da marca.
Em vez de tentar esconder que é uma DSLR em um mercado dominado por mirrorless, a Pentax trata o próprio sistema reflex como parte central da experiência.
Para quem já possui lentes Pentax K, essa continuidade também pode ter valor.
Trocar completamente de sistema fotográfico não significa apenas comprar outro corpo.
Pode envolver substituir lentes, flashes, baterias, acessórios e parte do fluxo de trabalho já construído.
Por isso, a existência de novas DSLRs Pentax continua sendo relevante principalmente para quem já está dentro desse ecossistema.
Existe uma Pentax que fotografa somente em preto e branco?
Sim.
A Pentax K-3 Mark III Monochrome foi desenvolvida especificamente para produzir imagens monocromáticas.
Ela não é simplesmente uma K-3 Mark III comum configurada no modo preto e branco.
Seu sensor foi projetado sem o filtro de cores utilizado para produzir fotografias coloridas.
Em uma câmera digital convencional, o sensor precisa reconstruir as informações de cor a partir da forma como os pixels recebem vermelho, verde e azul.
Uma câmera monocromática não precisa realizar esse mesmo processo para criar uma fotografia em preto e branco.
Isso permite uma abordagem diferente para detalhes, gradações e sensibilidade à luz.
A limitação é óbvia e importante:
ela não fotografa em cores.
Não existe a possibilidade de registrar normalmente uma fotografia colorida e decidir depois se ela ficará melhor em preto e branco.
A decisão já foi tomada no momento em que você escolheu a câmera.
É um produto extremamente específico.
Para a maioria dos fotógrafos, uma câmera convencional com conversão posterior para preto e branco oferece muito mais flexibilidade.
A Monochrome faz sentido para quem realmente quer trabalhar com fotografia monocromática como parte central do processo.
E a Pentax KF?
A KF é uma DSLR APS-C com aproximadamente 24,2 megapixels.
Ela representa uma entrada mais acessível no sistema K do que modelos como a K-3 Mark III.
Possui estabilização no corpo, arquivos RAW e JPEG e utiliza cartões SD.
Ela também mantém uma característica muito associada às câmeras Pentax: resistência a poeira e condições climáticas quando utilizada dentro das condições previstas e com componentes compatíveis.
Isso não significa que a câmera seja indestrutível ou possa ser mergulhada em água.
Resistência climática deve ser entendida como proteção adicional para uso fotográfico em condições adversas, não como autorização para ignorar cuidados com o equipamento.
Pentax ainda fabrica câmera de filme?
Sim.
E esse talvez seja o movimento mais inesperado da marca nos últimos anos.
Em 2024, a Ricoh Imaging lançou a Pentax 17, uma câmera nova que utiliza filme fotográfico de 35 mm.
Não é uma câmera digital com aparência retrô.
Ela realmente utiliza filme.
O nome 17 vem do tamanho aproximado de um dos lados do quadro produzido pelo sistema half-frame.
Em vez de usar um quadro tradicional de aproximadamente 36 × 24 mm para cada fotografia, a Pentax 17 registra imagens de aproximadamente 17 × 24 mm.
Na prática, isso permite fazer cerca de 72 fotografias em um filme vendido como 36 poses.
A quantidade pode ser especialmente interessante atualmente porque filme e revelação representam um custo considerável para quem quer experimentar fotografia analógica.
Por que a Pentax 17 fotografa na vertical?
Há outra consequência curiosa do formato half-frame.
A orientação física do quadro faz com que a câmera, quando segurada normalmente, produza fotografias verticais.
Isso combina de maneira quase acidental com um hábito contemporâneo.
Quem cresceu fotografando com smartphone já está bastante acostumado a imagens verticais.
A Pentax, inclusive, apresenta essa relação como uma das características da câmera.
É uma mistura interessante de épocas.
O filme é uma tecnologia fotográfica antiga, mas o enquadramento vertical se encaixa perfeitamente no modo como milhões de pessoas aprenderam a fotografar com celulares.
A Pentax 17 é totalmente manual?
Não.
Ela utiliza algumas operações deliberadamente manuais para recuperar parte da experiência de uma câmera analógica tradicional.
O avanço do filme é feito por alavanca e o rebobinamento também é manual.
O foco, porém, não funciona como em uma SLR convencional.
A Pentax 17 utiliza foco por zonas.
Em vez de olhar pelo visor e ajustar precisamente até enxergar o assunto perfeitamente focado, o fotógrafo seleciona uma faixa aproximada de distância.
A câmera também utiliza uma lente fixa de 25 mm f/3.5, equivalente aproximadamente a uma 37 mm quando comparada ao formato tradicional de 35 mm.
É uma câmera pensada para simplificar alguns aspectos da fotografia analógica, não para reproduzir exatamente a experiência de uma Pentax K1000 ou de outra SLR clássica.
Por que uma empresa lançaria uma câmera de filme em 2024?
Porque existe novamente interesse por fotografia analógica.
A própria Pentax iniciou o Film Camera Project em 2022 citando o crescimento do interesse por câmeras de filme, especialmente entre fotógrafos mais jovens que não tiveram contato com essa tecnologia durante sua primeira fase de popularidade.
Há também uma diferença importante entre vender câmeras antigas e produzir uma nova.
Quem compra uma câmera analógica fabricada há 30, 40 ou 50 anos precisa considerar desgaste, vedação, obturador, fotômetro, peças e manutenção.
Uma câmera de filme nova nasce em outro contexto de suporte e fabricação.
Isso não torna a Pentax 17 necessariamente uma escolha melhor que uma analógica usada.
Ela simplesmente resolve um problema diferente.
Então a Pentax abandonou o digital?
Não.
A existência da Pentax 17 não significa que a empresa tenha abandonado suas DSLRs.
As duas estratégias convivem.
De um lado, a Pentax continua sustentando sua filosofia ligada às câmeras reflex digitais.
Do outro, recuperou a fotografia analógica com um produto novo.
O ponto em comum é bastante claro:
a empresa parece interessada em vender a experiência de fotografar, e não apenas a maneira tecnicamente mais recente de produzir uma imagem.
Isso ajuda a entender decisões que poderiam parecer estranhas quando observadas apenas pelas tendências do mercado.
Por que a Pentax não migrou sua linha principal para mirrorless?
A própria filosofia atual da marca enfatiza as qualidades das SLRs, principalmente a experiência de utilizar um visor óptico.
Isso é uma decisão bem diferente daquela tomada por outras fabricantes.
Não há razão para transformar essa escolha em uma disputa simples entre tecnologia velha e tecnologia nova.
Mirrorless possuem vantagens importantes.
DSLRs também mantêm características apreciadas por determinados usuários.
O aspecto mais relevante para quem pretende comprar uma câmera é outro:
qual sistema atende melhor ao que você precisa fazer hoje?
Se você está começando do zero e não possui nenhuma lente, escolher Pentax significa aceitar um ecossistema muito diferente daqueles que atualmente concentram grande parte dos novos desenvolvimentos em mirrorless.
Se você já possui várias lentes K, a conta muda.
A possibilidade de continuar utilizando um conjunto existente pode pesar bastante na decisão.
Lentes Pentax antigas funcionam nas câmeras atuais?
A montagem K surgiu em 1975 e sua longa continuidade é um dos pontos mais interessantes do sistema.
Muitas lentes Pentax antigas podem ser utilizadas em corpos digitais modernos.
Mas isso precisa ser entendido com cuidado.
Encaixar fisicamente não significa manter automaticamente todas as funções modernas.
Dependendo da idade e da versão da lente, algumas operações podem ser manuais ou apresentar limitações.
Autofocus, comunicação eletrônica, controle de abertura e outros recursos variam conforme a geração da objetiva.
Por isso, antes de comprar uma lente antiga apenas porque ela tem montagem K, procure a compatibilidade específica entre aquela lente e aquele corpo.
Ainda assim, essa continuidade oferece uma possibilidade interessante para quem já possui equipamentos Pentax antigos ou encontra lentes usadas em boas condições.
Pentax é uma boa escolha para começar hoje?
Pode ser, mas não existe uma resposta igual para todo mundo.
Antes de escolher Pentax, pense no sistema inteiro.
Uma DSLR Pentax pode fazer sentido para quem:
- prefere visor óptico;
- valoriza estabilização no corpo;
- quer utilizar determinadas lentes K;
- fotografa principalmente e vídeo não é prioridade;
- gosta da experiência tradicional de uma DSLR;
- encontra corpo, lentes e assistência em condições adequadas.
Para quem está começando sem nenhum equipamento e deseja acompanhar uma linha com grande variedade de novos corpos mirrorless, lentes modernas e recursos fortemente voltados para vídeo, outras marcas podem oferecer caminhos mais amplos.
Isso não diz que a imagem de uma Pentax será pior.
Mostra apenas que comprar uma câmera significa comprar também um sistema e uma direção futura.
E no Brasil?
Aqui aparece um ponto que uma comparação internacional pode esconder.
Disponibilidade importa.
Uma câmera excelente em uma ficha técnica pode se tornar uma escolha complicada se lentes, baterias, acessórios e assistência forem difíceis ou caros de encontrar.
Pentax possui uma comunidade fiel e existe um mercado de equipamentos usados, mas sua presença comercial no Brasil não é comparável à de marcas mais populares no varejo.
Antes de montar um sistema, vale pesquisar:
- preço real do corpo;
- disponibilidade das lentes desejadas;
- baterias;
- flashes e acessórios;
- assistência técnica;
- mercado de usados;
- custo de importação quando necessário.
Isso é especialmente importante para quem pretende manter a câmera durante muitos anos.
Comprar o corpo é apenas a primeira etapa.
Pentax e Ricoh são a mesma coisa?
Pertencem à mesma estrutura empresarial de imagem, mas os nomes não são usados como se fossem uma única marca em todos os produtos.
A Ricoh Imaging comercializa produtos Pentax e produtos Ricoh.
A linha GR, por exemplo, utiliza o nome Ricoh.
As DSLRs K e a câmera analógica Pentax 17 utilizam a marca Pentax.
Portanto, dizer simplesmente que “Pentax virou Ricoh” pode criar uma impressão errada.
A marca Pentax continua existindo.
O que mudou foi quem controla e desenvolve atualmente os produtos.
Afinal, a Pentax ainda fabrica câmeras?
Sim.
E a situação atual da Pentax é mais interessante do que simplesmente dizer que uma marca histórica sobreviveu.
Ela continua produzindo DSLRs em uma época em que grande parte da indústria migrou para mirrorless.
Mantém uma câmera APS-C dedicada exclusivamente ao preto e branco.
Preserva um sistema de lentes cuja montagem começou na década de 1970.
E voltou a fabricar uma câmera de filme nova com a Pentax 17.
Isso não transforma automaticamente a Pentax na melhor escolha para comprar uma câmera.
Também não significa que suas decisões sirvam para todos os fotógrafos.
Mas mostra com bastante clareza o que diferencia a marca atualmente.
Enquanto boa parte da indústria pergunta como tornar a câmera cada vez mais parecida com um dispositivo eletrônico moderno, a Pentax continua apostando que existe público interessado no próprio processo de fotografar.
Para algumas pessoas, isso será uma limitação.
Para outras, é exatamente o motivo para continuar olhando para a marca.