Fotografia de arquitetura pode parecer algo relativamente simples. Mas os elementos em arquitetura exigem atenção do olhar do fotógrafo.
Linha torta vai aparecer, fachada sem volume vai ficar sem graça, lente grande-angular usada de forma despretensiosa vai entortar tudo, por fim, um detalhe mal escolhido no contexto vai deixar a foto comum.
Fotografar arquitetura é, em primeiro lugar, entender como forma, espaço, luz e proporção trabalham dentro do quadro.
O prédio precisa caber na foto sem bagunçar
Em arquitetura, muitos elementos parecem importar: fachada, janela, porta, coluna, escada, textura, sombra, reflexo, rua ou céu.
O segredo aqui é não tentar colocar tudo de qualquer jeito no quadro. A foto pode até mostrar o prédio inteiro, mas não necessariamente vai mostrar bem.
Antes de fotografar, pergunte o que o prédio tem de mais interessante: a altura, a repetição das janelas, a entrada, a textura, o contraste com a rua ou a sombra na parede?
Quando a resposta aparece, o enquadramento fica mais fácil.
Linhas precisam parecer escolha
Linhas são um dos principais elementos da fotografia de arquitetura, sejam verticais, horizontais, diagonais, curvas, recortes, colunas, janelas ou escadas.
Dependendo de como você pensar (ou não) a composição, os elementos que formam as linhas podem organizar ou bagunçar a foto.
Não é que toda linha precise ficar perfeitinha, mas você vai precisar demonstrar intencionalidade na foto.
Perspectiva muda a sensação do prédio
Fotografar de baixo pra cima é uma técnica que pode deixar um prédio mais imponente. Além disso, também pode fazer as linhas verticais fecharem, como se a construção tivesse tombando pra trás.
Mas, se a intenção é mostrar a arquitetura de forma mais limpa, talvez seja melhor você se afastar um pouco, procurar uma posição mais reta ou corrigir a perspectiva depois.
Distorcer não representa um problema, só se esta distorção não indicar um motivo claro. Descuidos disfarçados de estilo vão comprometer seu trabalho.
Grande-angular ajuda, mas não resolve tudo
Grande-angular é muito usada em arquitetura porque você vai mostrar mais espaço. Ela ajuda fotografar interiores, fachadas grandes, corredores estreitos, igrejas, prédios altos e ambientes pequenos.
Só que você precisará observar que quanto mais aberta a lente, mais as bordas deformam a cena. Assim, as linhas vão entortar, as proporções vão mudar, os cantos vão crescer.
Em resumo, a lente grande-angular é uma aliada, mas é preciso cuidar como você quer compor a foto para representar o que você viu na cena de forma adequada.
Luz revela material
Na arquitetura, a luz vai mostrar o material que constitui o elemento fotografado: concreto, vidro, pedra, tijolo, madeira ou metal.
Cada superfície vai reagir de um jeito, por exemplo, uma parede lisa pode ficar sem vida com luz frontal. Por outro lado, uma textura pode aparecer melhor com luz lateral. Um vidro pode virar espelho e uma fachada pode ganhar volume porque a sombra caiu no lugar certo.
Luz bonita é importante, mas entender se a luz tá mostrando a construção ou escondendo o que ela tem de melhor fazem a foto de arquitetura ficar melhor.
Sombra também constrói a imagem
Sombra em arquitetura pode virar um desenho interessante pra sua foto. A sombra de uma grade, de uma marquise, de uma escada, de uma árvore ou de uma janela pode transformar uma parede simples em composição.
Em fotografia urbana, muitas vezes é a sombra que faz a foto aparecer. A arquitetura tá na relação entre luz, sombra e superfície; não somente na construção em si.
Detalhe também é arquitetura
Não há necessidade de mostrar o prédio inteiro em todas as fotos, às vezes um detalhe fala melhor. Tipo, uma maçaneta antiga, uma janela repetida, uma textura no concreto ou uma porta marcada pelo uso.
O detalhe vai aproximar a fotografia da experiência do lugar, porque mostra aquilo que passa batido quando a pessoa olha só pra fachada.
Prédio também tem cicatriz, ritmo e textura.
Gente ajuda a mostrar escala
Se você registrar pessoas na foto de arquitetura pode ajudar bastante o registro.
Situações como uma pessoa pequena perto de um prédio grande você vai conseguir mostrar escala entre os elementos. Caso conseguir registrar alguém atravessando uma praça você colocará vida no espaço.
A pessoa também mostra como aquele lugar é usado. Só tem que se lembrar de cuidar pra ela não roubar a cena sem motivo.
Interiores cobram mais paciência
Fotografar interior pode te trazer algum tipo de frustração, ela costuma ser mais chata do que parece. Tem pouca luz, mistura de luzes, janela estourando luz, canto escuro, móveis demais, reflexo em vidro ou espelho entregando o fotógrafo.
E tudo isso aparece rápido. E é nessas horas que a calma vai te ajudar mais do que ter pressa em finalizar o trabalho.
O tripé pode ser um aliado importante, mas antes dele vem a leitura do ambiente: o que precisa aparecer, o que tá sobrando, a parede tá caindo, a janela tá dominando tudo ou o espelho tá mostrando quem não devia?
Interior exige mais organização porque qualquer excesso vai deixar tudo mais trabalhoso.
Edição precisa respeitar o espaço
Edição em arquitetura pode ajudar a melhorar bastante a fotografia. Você terá oportunidade de corrigir perspectiva, alinhar verticais, ajustar exposição, recuperar janela estourada, equilibrar cor de lâmpada ou “cropar” (cortar) melhor.
Como quase tudo em fotografia, correção demais pode deixar o lugar artificial: HDR pesado pode transformar interior em propaganda de imóveis, saturação forte pode fazer vidro, céu e parede parecerem publicidade.
A edição deve organizar o espaço e não inventar outro prédio.
Fotografia de arquitetura pede leitura, não só registro
Pra fotografar arquitetura você vai precisar prestar atenção na forma, na proporção, na textura, na luz e no uso do espaço.
Às vezes a melhor foto tá na fachada inteira, outras vezes tá na sombra no chão ou, ainda, no detalhe da janela, na repetição das colunas, no reflexo do vidro ou na pessoa atravessando a cena.
O prédio tá parado, mas a fotografia não precisa ficar parada junto. Quando você aprender a mostrar como o espaço se organiza, deixa de registrar prédios e começa a fotografar arquitetura.