Não. FPS e Hz medem coisas diferentes, embora trabalhem juntos para determinar a fluidez que você vê durante um jogo.
FPS indica quantos quadros o jogo consegue produzir por segundo. Hz indica quantas vezes a tela consegue atualizar a imagem por segundo.
Assim, um computador pode gerar 120 FPS enquanto o monitor funciona a 60 Hz. Também pode acontecer o contrário: você pode ter uma tela de 144 Hz enquanto o jogo roda a apenas 60 FPS.
O erro está em imaginar que um número automaticamente transforma o outro.
Neste artigo
FPS é o que o jogo consegue produzir
FPS significa frames per second, ou quadros por segundo.
Quando um jogo está rodando a 60 FPS, o computador, console ou celular está produzindo aproximadamente 60 novos quadros por segundo.
A 120 FPS, são aproximadamente 120.
Quanto menor o tempo necessário para produzir cada quadro, maior pode ser a taxa de FPS.
Em condições ideais:
| FPS | Tempo de cada quadro |
|---|---|
| 30 FPS | 33,3 ms |
| 60 FPS | 16,7 ms |
| 120 FPS | 8,3 ms |
| 144 FPS | 6,9 ms |
Na prática, porém, não basta olhar a média. Um jogo pode indicar 60 FPS e ainda apresentar pequenas travadas se alguns quadros demorarem muito mais que outros para ficar prontos.
Por isso, estabilidade e frame pacing, a regularidade com que os quadros chegam, também importam. A documentação do Android sobre jogos trata justamente a combinação entre taxa de quadros e ritmo de apresentação como parte importante da percepção de fluidez.
Hz é o que a tela consegue atualizar
Hertz, representado por Hz, mede a frequência de atualização do display.
Uma tela de:
60 Hz pode realizar 60 atualizações por segundo.
120 Hz pode realizar 120.
144 Hz pode realizar 144.
Isso é uma característica da tela, não da potência da placa de vídeo.
A documentação atual do Android, por exemplo, distingue explicitamente telas de 60, 90 e 120 Hz das taxas de FPS solicitadas pelos próprios jogos.
Essa separação é fundamental.
Ter um monitor de 144 Hz não obriga o computador a produzir 144 FPS.
Ter uma GPU capaz de produzir 144 FPS também não transforma um monitor de 60 Hz em um monitor de 144 Hz.
A maneira mais fácil de entender
Imagine duas máquinas trabalhando em sequência.
A primeira é a GPU, que produz os quadros.
A segunda é a tela, que precisa mostrá-los.
O FPS informa a velocidade com que os quadros ficam prontos.
Os Hz informam a frequência com que a tela pode atualizar aquilo que mostra.
Para aproveitar plenamente 120 novos quadros por segundo, portanto, é interessante que o jogo consiga produzir aproximadamente 120 FPS e que a tela seja capaz de trabalhar a 120 Hz ou mais.
Os números não precisam ser sempre idênticos, mas precisam conversar entre si.
O que acontece com 60 FPS em uma tela de 60 Hz?
Esse é o exemplo mais simples.
O jogo produz aproximadamente 60 quadros por segundo.
A tela atualiza aproximadamente 60 vezes por segundo.
Quando a entrega está bem sincronizada, cada novo quadro pode corresponder a uma atualização da tela.
O intervalo de referência é de aproximadamente 16,7 milissegundos.
É uma combinação bastante comum e perfeitamente adequada para muitos jogos.
E 60 FPS em uma tela de 120 Hz?
A tela consegue atualizar 120 vezes por segundo, mas o jogo está produzindo apenas 60 novos quadros.
Isso significa que não surgem magicamente 120 quadros diferentes.
Com um ritmo regular, cada quadro do jogo pode permanecer durante duas atualizações de uma tela de 120 Hz.
A tela continua tendo capacidade para trabalhar em frequência maior, mas a animação produzida pelo jogo contém apenas 60 novos quadros por segundo.
Isso também explica por que comprar uma tela de 120 ou 144 Hz não garante sozinho uma mudança enorme em todos os jogos.
Se seu equipamento continua entregando 40 ou 60 FPS, parte do potencial da tela permanece sem utilização naquela situação.
Então 120 Hz não serve para nada se o jogo estiver a 60 FPS?
Não é correto ir tão longe.
A tela de alta frequência continua podendo trazer vantagens em outras partes da experiência, como interface do sistema, aplicativos e jogos capazes de gerar taxas maiores.
Também pode trabalhar melhor com diferentes taxas quando existem mecanismos de sincronização e frequência variável.
Mas, olhando apenas para a animação de um jogo produzindo 60 quadros diferentes por segundo, uma tela de 120 Hz não cria os outros 60 quadros que estão faltando.
A diferença entre capacidade da tela e conteúdo efetivamente produzido é a parte que fichas técnicas com números grandes nem sempre deixam clara.
E 120 FPS em uma tela de 60 Hz?
Aqui acontece o inverso.
O jogo consegue produzir 120 quadros por segundo, mas a tela atualiza apenas 60 vezes.
Portanto, um monitor de 60 Hz não consegue apresentar 120 quadros completos e distintos em 120 atualizações por segundo, porque ele simplesmente não possui 120 ciclos de atualização.
Isso não significa que produzir FPS acima dos Hz seja sempre inútil.
Em jogos competitivos, taxas de FPS maiores podem reduzir o tempo entre a entrada do jogador e a disponibilidade de um quadro mais recente. A NVIDIA trata FPS elevado e alta taxa de atualização como fatores relacionados à redução de latência em jogos competitivos.
Só que existe outra consequência possível.
Sem sincronização, partes de quadros diferentes podem aparecer durante a mesma atualização da tela. É o fenômeno conhecido como screen tearing.
Portanto, a frase correta não é:
“FPS acima dos Hz não serve para nada.”
É:
“FPS acima dos Hz não permite que a tela mostre a mesma quantidade de quadros completos por segundo, embora ainda possa afetar latência e sincronização.”
Essa diferença parece pequena, mas evita uma conclusão errada muito comum.
Por que aparecem aquelas linhas cortando a imagem?
Quando a GPU e a tela trabalham sem sincronização, a tela pode começar uma atualização usando um quadro e receber outro antes de terminar.
O resultado pode parecer uma linha horizontal separando partes da imagem.
Isso é o tearing.
É mais perceptível em movimentos rápidos, principalmente quando câmera e cenário se deslocam lateralmente.
Foi justamente para lidar com problemas desse tipo que surgiram diferentes formas de sincronização entre produção de quadros e atualização da tela.
O que o V-Sync faz?
O V-Sync, ou sincronização vertical, procura coordenar a entrega dos quadros com os ciclos de atualização do monitor.
Isso pode eliminar ou reduzir tearing.
O problema é que sincronizar também pode trazer efeitos colaterais dependendo da situação, como aumento de latência ou mudanças perceptíveis quando a taxa de FPS não acompanha adequadamente a frequência da tela.
Por isso, V-Sync não é simplesmente um botão de “melhorar gráficos”.
Ele altera a relação entre GPU e display.
FreeSync, G-SYNC e VRR tentam resolver o problema de outra forma
Com taxa de atualização variável, conhecida como VRR, a ideia é permitir que a tela ajuste sua frequência de atualização de acordo com a chegada dos quadros dentro de uma faixa suportada.
Em vez de obrigar o jogo a se encaixar permanentemente em uma frequência fixa, a tela pode acompanhar melhor as oscilações da GPU.
A VESA descreve o Adaptive-Sync justamente como um mecanismo capaz de combinar dinamicamente a taxa de atualização do display com o ritmo de renderização da GPU. A NVIDIA descreve princípio semelhante no G-SYNC.
Imagine que o jogo varie entre 75 e 90 FPS.
Em uma configuração compatível com VRR e dentro da faixa suportada pelo monitor, a tela pode acompanhar melhor essas mudanças.
Isso costuma produzir uma apresentação mais uniforme do que tratar FPS e Hz como dois relógios completamente independentes.
144 Hz significa que preciso jogar a 144 FPS?
Não.
Um monitor de 144 Hz continua funcionando quando o jogo roda a 60, 80 ou 100 FPS.
Você não precisa abandonar configurações gráficas melhores apenas para atingir exatamente 144 FPS em todos os jogos.
A decisão depende do tipo de experiência desejada.
Em um jogo competitivo, pode fazer sentido priorizar FPS elevado e resposta rápida.
Em um jogo mais cinematográfico ou pesado graficamente, você pode preferir 60 FPS estáveis com maior qualidade visual.
A tela de 144 Hz oferece capacidade.
Ela não cria uma obrigação.
E comprar 240 Hz ou 360 Hz?
Aqui entra uma questão importante para quem quer gastar melhor.
Quanto maior a frequência, menor fica o intervalo teórico entre as atualizações:
| Taxa da tela | Intervalo aproximado |
|---|---|
| 60 Hz | 16,7 ms |
| 120 Hz | 8,3 ms |
| 144 Hz | 6,9 ms |
| 240 Hz | 4,2 ms |
| 360 Hz | 2,8 ms |
Isso é real.
Mas o benefício percebido não cresce indefinidamente na mesma proporção que o número escrito na caixa.
Além disso, seu computador precisa conseguir produzir FPS suficientemente alto para aproveitar boa parte dessa capacidade em jogos.
Uma pesquisa recente da NVIDIA sobre percepção de fluidez em jogos de tiro encontrou benefícios perceptíveis em frequências superiores, mas o tamanho do ganho varia conforme frequência, situação e observador.
Para o jogador comum, portanto, a pergunta não deve ser apenas:
“Qual monitor tem mais Hz?”
Ela deve ser:
“Meu computador consegue gerar FPS suficiente e meus jogos realmente se beneficiam disso?”
Uma tela de 144 Hz pode ser desperdício em um PC fraco?
Pode ser um investimento mal equilibrado, mas não necessariamente um desperdício.
Imagine que você compre um monitor 144 Hz para um computador que roda seus jogos mais pesados entre 45 e 60 FPS.
Você provavelmente não aproveitará toda a capacidade de 144 Hz nesses títulos.
Talvez fosse mais interessante, dependendo do orçamento, investir primeiro em uma GPU melhor ou escolher um monitor mais econômico.
Agora imagine que você também joga títulos leves ou competitivos a 120, 150 ou 200 FPS.
Nesse caso, o mesmo monitor passa a fazer muito mais sentido.
O valor da especificação depende do equipamento e dos jogos que você realmente utiliza.
É exatamente por isso que mais Hz não deve ser analisado isoladamente na hora da compra.
O mesmo raciocínio vale para celulares
Um smartphone pode anunciar tela de 120 Hz sem conseguir rodar todos os jogos a 120 FPS.
Na verdade, o próprio Android atual distingue a taxa máxima do display das opções de FPS oferecidas pelo jogo. A documentação recomenda que desenvolvedores considerem frequências como 60, 90 e 120 Hz ao definir as opções disponíveis.
Além disso, manter FPS elevado pode aumentar consumo de energia e carga de processamento. O Android possui inclusive mecanismos para limitar FPS em jogos com objetivo de equilibrar desempenho e bateria.
Portanto, a inscrição “tela 120 Hz” em um celular não significa:
“todos os jogos rodam a 120 FPS”.
Ela significa que a tela possui capacidade para atualizar nessa frequência quando sistema, aplicativo, jogo e hardware conseguem utilizá-la.
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Como descobrir o que está limitando sua experiência?
Você pode fazer uma verificação simples antes de comprar qualquer coisa.
Primeiro, descubra a frequência máxima da sua tela.
Depois, veja aproximadamente quantos FPS o jogo consegue manter.
Se você possui uma tela de 60 Hz e o computador frequentemente produz 150 FPS, existe espaço para aproveitar melhor taxas de atualização maiores, especialmente em jogos rápidos.
Se possui uma tela de 144 Hz, mas seus jogos ficam em 40 ou 50 FPS porque a GPU está no limite, trocar apenas o monitor por um modelo de ainda mais Hz provavelmente não resolverá o principal problema.
Se você tem 120 Hz e consegue manter aproximadamente 120 FPS nos jogos em que fluidez importa, os dois componentes estão bem mais próximos de trabalhar no mesmo nível.
É uma análise muito mais útil do que simplesmente comprar o maior número disponível.
Então qual é mais importante: FPS ou Hz?
Nenhum dos dois funciona sozinho.
FPS depende da capacidade do aparelho de produzir quadros.
Hz depende da capacidade da tela de atualizá-los.
Para aproveitar altas taxas de quadros visualmente, os dois precisam estar razoavelmente alinhados.
Um computador muito potente conectado a uma tela lenta deixa parte da capacidade de exibição limitada.
Uma tela extremamente rápida conectada a um computador que produz poucos quadros também fica subaproveitada.
Isso transforma a pergunta de compra.
Em vez de pensar:
“Preciso de 144 Hz?”
vale perguntar:
“Meus jogos chegam perto de 144 FPS e eu quero priorizar fluidez?”
Se a resposta for não, talvez você não precise gastar mais apenas pelo número maior.
FPS e Hz são a mesma coisa?
Não.
FPS mede quantos quadros o jogo produz por segundo. Hz mede quantas vezes a tela pode atualizar por segundo.
Eles estão relacionados, mas não são intercambiáveis.
60 FPS em uma tela de 120 Hz continuam sendo 60 novos quadros produzidos pelo jogo.
120 FPS em uma tela de 60 Hz não transformam a tela em 120 Hz, embora uma taxa de quadros maior ainda possa influenciar a latência.
E uma tela de 144 Hz não garante que seus jogos funcionarão a 144 FPS.
A melhor combinação não é necessariamente aquela com os maiores números.
É aquela em que o desempenho do seu equipamento, a capacidade da tela, os jogos que você utiliza e o dinheiro investido fazem sentido juntos.